The Good & Old Rock'n'roll

The Good & Old Rock'n'roll
Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

JUGBAND BLUES - PINK FLOYD ( TRADUÇÃO)


Uma das últimas fotos de Syd com o Floyd. Gilmour, que o substituiria, está à frente, no centro.



Talvez a última música composta por Syd Barret e gravada pelo Pink Floyd, no álbum Saucerful Of Secrets, no ano de 1968, em meio ao turbilhão mental que levaria os outros membros a afastá-lo da banda.

É impossível não associarmos a letra à clara lucidez da situação, embora difusa pela "viagem", pela ironia e pela poesia.

Jugband é uma formação musical típica do jazz do início do século XX. Blues, além de nomear um estilo musical é, também, tristeza. Jug significa jarro e, aí, não podemos nos furtar a uma despirocada interpretação: a banda seria um jarro incapaz de conter a mente de Syd. Em plena consciência disso, ele manifestou sua tristeza.

É muita consideração sua pensar que estou aqui
E sou muito grato  por deixar claro
Que não estou aqui
E eu não sabia que a lua poderia ser tão grande
E eu não sabia que a lua poderia ser tão azul
E te agradeço por ter jogado fora meus sapatos velhos
E me trazer aqui, vestido de vermelho
Fico imaginando quem poderia estar escrevendo esta canção

Eu não ligo se o sol não brilha
Eu não ligo se não tenho nada
Eu não ligo se estou nervoso contigo
Amarei no inverno

E o mar não é verde
E eu amo a rainha
E o que é exatamente um sonho?
E o que é exatamente uma piada?


Syd Barret


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

IMAGINE

Lennon: Jesus Cristo Superstar?!!!


A música Imagine, de John Lennon, é um atentado à humanidade, não por ser piegas, brega, pegajosa, como, de fato, é, mas, principalmente, por suscitar, em seus versos, condições altamente perniciosas à psiquê: dê ao ser humano o equilíbrio, a satisfação, a segurança e ele, enquanto ser, definha. Aquilo que faz do ser humano, humano, foi resumido pelo velho Schopenhauer da seguinte forma: "dê-lhe a satisfação de um desejo e dois novos surgem no lugar". Não é à toa que todas as experiências históricas de igualdade social só foram garantidas com o uso da violência. Não é à toa que as condições propostas nos versos foram definidas pelos antigos gregos, sábios que só, como utopia: u = não; topos = lugar. Portanto utopia é o "não-lugar", ou "lugar que não existe".

John Lennon sempre nos ensinou que, dele, podíamos esperar tudo: desde o início dos Beatles se mostrou o "porra-louca" por  excelência. Senão, vejamos: o lance dele afirmar que os Beatles seriam maiores que Jesus Cristo. Teve que baixar a franja e, nervosamente, tentar remendar o dito em entrevistas e se, como dizem por aí, Jesus o castigou, foi transformando-o em uma espécie de Cristo de segunda categoria com sua morte. As fotos nuas e o casamento com Yoko Ono dispensam comentários. Se envolveu com drogas pesadas e cantou, em Lucy In The Sky With Diamonds e Cold Turkey, por exemplo, suas experiências. Sabemos que para o bem ou para o mal, música é uma espécie de propaganda. Além de tudo, apoiou a esquerda radical e sabemos, muito bem, do resultado de experiências de governo baseadas no radicalismo esquerdista: extravasar todo o ódio acumulado no ressentimento em não ter sido governo na violência social, garantindo, assim, a "igualdade". No fundo, porém, John Lennon foi apenas um ser humano.

Mas um ser humano que não teve pudor em tornar público os fantasmas que o assombraram. Com isto, se tornou, literalmente, um alvo fácil. Ele próprio se definiu em entrevistas como "um palhaço capaz de rir de si mesmo": pode ser uma citação de Nietzsche mas pode ser, também, um tiro no próprio pé.

O biógrafo Philip Norman narra, no livro John Lennon: Vida, a história de que, no final dos anos 1970, entre vários investimentos, Lennon e Yoko compraram gado leiteiro e, quando o negócio não deu o retorno esperado, uma das pessoas envolvidas foi chamada para prestar contas. Diante de uma inquisição irada, tal pessoa teria, com muita presença de espírito, citado o verso "imagine no possessions", de Imagine, que pode ser traduzido como "imagine que não haja posses". Lennon, bufando de raiva, retrucou: "Isto é só a porra de uma música". Este é o John Lennon fascinante. De verdade.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

"O DIABO É O PAI DO ROCK"*

O rock, enquanto movimento cultural, pode ser definido a partir de estreitos vínculos com a rebeldia. Em seus primórdios, uma rebeldia de fundo comportamental, fruto de choque entre gerações, conforme o rock evoluía, adquiriu tons político-ideológicos de contestação à ordem vigente. Se, paralelamente, todo um mercado capitalizou em cima dessa rebeldia, isto é uma outra história.

Por ser cria de um ambiente cultural predominantemente judaico-cristão, o rock, fatalmente, acabaria associado, neste ambiente, ao seu ícone maior de rebeldia: o Diabo.

A autoridade, na cultura judaico-cristã, tem sua origem no patriarcalismo, ou seja, nos valores impostos pela figura paterna. Assim, o Gênesis conta a criação e a ordenação do mundo a partir da vontade de um único ser e quando, segundo a tradição, uma das criaturas desafia a ordem imposta pelo criador, inaugura-se o estereótipo da rebeldia.

Representação comumente associada ao Diabo
A cultura ocidental ainda é e, por muito tempo, ainda será refém do referido patriarcalismo, presente nas relações trabalhistas e nas relações políticas, por exemplo, sem contar as relações sócio-culturais: existem aqueles que estão no mundo para usufruir do bom e do melhor (uns poucos) e existem aqueles que estão no mundo para provar do ruim e do pior (a imensa maioria): questionar isto é desafiar a ordem natural das coisas, legitimada por tantas e tantas abstrações da figura paterna. Liberalismo, democracia e direitos humanos só estão aí para manter cada um em seu devido lugar.

Quando a cultura ocidental se expandiu para áreas remotas do globo terrestre, a partir das Grandes Navegações, junto à necessidade de salvar as almas dos povos alheios à fé cristã, estava a demonização cultural do outro. Manifestações religiosas como a pajelança,  o vodu e o candomblé foram, e ainda são, associadas às forças malignas agindo no mundo e a seu líder maior: Satã.

É sabido que a cultura de origem africana marcou fortemente o surgimento do rock, principalmente através do blues, estilo musical norte-americano de origem negra. Lendas envolvendo músicos de blues, os bluesmen, estão impregnadas da presença do Diabo, principalmente se considerarmos o mais emblemático desses bluesmen para o rock: Robert Johnson.

O blues surgiu no sul dos Estados Unidos, região onde o segregacionismo  foi, a duras penas suplantado. Todo um contingente populacional negro via o Deus cristão benevolente com os brancos, enquanto para si sobrava a danação. Não foram poucos os negros que se adequaram aos valores cristãos na esperança de, ao menos, amenizar suas agruras mas, também, não foram poucos os que se assumiram no lado contrário: já que estavam no inferno, abraçaram o Capeta.

A vida nebulosa de Robert Johnson está coalhada de lendas envolvendo a presença do Diabo, num enredo digno de Fausto. A mais comum é a de que ele teria feito um pacto com o Demônio em troca de habilidades musicais e, consequentemente, da mulherada. Tal pacto teria sido selado numa encruzilhada, ponto estratégico em rituais de religiosidade africana. Cross Road Blues, ou O Blues Da Encruzilhada, gravada pelo Cream de Eric Clapton é de Johnson.

Morreu jovem, envolto numa bruma de mistérios, depois de realizar algumas gravações, em meados da década de 1930. Tais gravações foram redescobertas, nos anos 60, por músicos britânicos como o já mencionado Clapton, Keith Richards, entre outros. Assim, acabou interferindo crucialmente na história do rock.

Além de figurar nas lendas que envolvem a vida de Robert Johnson, o Diabo também se faz presente nas letras de seus blues, como neste trecho de Me And Devil Blues:

"De manhã cedo
Quando você bateu em minha porta
E eu disse: Olá Satã,
Acho que é hora de ir (...)."

Mas, mais que um sentido literal relacionado à presença demoníaca, a obra de Robert Johnson é uma alegoria ou metáfora da dissidência de uma parcela da população negra dos Estados Unidos, que não comprou as ilusões de liberdade e iniciativa vendidas pelo American Way Of Life no início do século XX e, ao invés de se encaixar num mecanismo controlado por brancos, buscou, à margem, uma liberdade própria, assumindo, para o bem ou para o mal, suas consequências.


Robert Johnson
Uma boa história faz tanto sucesso quanto uma boa música. Constantemente, os músicos de rock buscam estratégias para surpreender ou chocar seus espectadores, desde uma boa história até o visual. Neste sentido, um dos pioneiros foi Screamin' Jay Hawkins que, já nos primeiros anos do rock'n'roll, fazia uso de toda uma indumentária planejada para impactar. Um misto de feiticeiro africano com xamã, não fosse por ele, a vida de Alice Cooper, do grupo Kiss, de Marilyn Manson, de King Diamond e da banda Slipknot, só para citar alguns, seria bem mais difícil.


Screamin' Jay Hawkins

Conforme sua evolução acontecia, o rock acabou sendo dividido, pela crítica especializada em subgêneros musicais diversos, de acordo com as características predominantes na sonoridade, principalmente. Da década de 1960 para cá ficou comum ouvirmos definições como folk-rock, country-rock, blues-rock, garage-rock, kraut-rock, punk-rock, indie-rock, grunge rock, post-rock, etc, etc, etc.

Dentre todos os subgêneros do rock, o Heavy Metal se especializou em levar ao extremo características sonoras e líricas, ao ponto de dar origem às suas próprias subdivisões, tanto que as mais radicais, são agrupadas sob o rótulo de Metal Extremo.

A gênese do Heavy Metal está associada a um grupo de bandas que, em fins dos anos 1960, especializou-se em explorar as possibilidades de volume oferecidas pela tecnologia de amplificação disponível na época. Bandas inglesas como Cream, Jimi Hendrix Experience ( apesar de Hendrix ser americano), The Who, Led Zeppelin e americanas, como Iron Butterfly, Grand Funk Railroad, Blue Oyster Cult, entre outras. Vale lembrar que todas essas bandas tinham um ouvido nas experimentações sonoras realizadas, em estúdio, pelos Beatles.

Cream

Jimi Hendrix Experience

The Who

Led Zeppelin

Iron Butterfly

Grand Funk Railroad

Blue Oyster Cult

Todavia, é consenso entre especialistas que a primeira banda de Heavy Metal foi o grupo inglês Black Sabbath. Na tendência apontada anteriormente a banda, com o nome de Earth, tocava um misto de blues e jazz carregado no volume e na distorção. Na saída de um ensaio, os músicos repararam na imensa fila formada na entrada de um cinema que exibia um filme de terror e perceberam, aí, um filão a ser explorado: as letras começaram a abordar temas relacionados ao desconhecido, ao assustador, à maldade, ou seja, o lado escuro da alma, a oficina do Príncipe das Trevas. Musicalmente, permaneceu o volume distorcido e o andamento foi se tornando agonizante, arrastado.

Black Sabbath

É interessante notar que, entre os músicos de rock sempre houve uma competição: se o The Who quebrava seus instrumentos ao final de sua apresentação, Jimi Hendrix, além de quebrar, pôs fogo em sua guitarra; se Jimi Hendrix usava os dentes para solar, Keith Emerson atacava as teclas de seu órgão elétrico com um punhal durante seus solos; sempre houve a banda que se julgou a melhor, a mais barulhenta, a mais rápida e, até mesmo a pior. Em suma, elementos explorados anteriormente acabavam sendo radicalizados a posteiori. Assim, os elementos explorados pelo Black Sabbath foram levados ao extremo pelas bandas das gerações seguintes.

No início da década de 1980, a banda inglesa Venom, meio que de gozação, deu origem ao primeiro dos subgêneros do Metal Extremo, o Black Metal: assumiram como certo o satanismo passível de interpretação de bandas anteriores e, com codinomes inspirados em divindades pagãs, se autoproclamaram os emissários musicais do mal.

Capa do album Black Metal da banda Venom - 1982

Fazendo eco ao que a banda Venom havia realizado na década anterior, toda uma geração de músicos noruegueses fizeram do satanismo uma bandeira ideológica a ser levantada contra a ordem estabelecida, visando retomar valores culturais considerados, por eles, puros. Valores estes corrompidos e eliminados quando a cultura das tribos germânicas da região, comumente e erroneamente chamadas de vikings, foi assolada pela doutrinação cristã. É a chamada segunda geração do Black Metal.

A postura anticristã, agora, deixa de ser subterfúgio para impactar e se torna doutrinação, no sentido mais drástico que o termo pode comportar, lembrando o fundamentalismo. Uma série de incêndios terroristas foi realizada tendo como alvo antigas igrejas históricas e, depois, alguns líderes estiveram envolvidos em  homicídios. É necessário observar que o mesmo Estado agredido nos atentados subsidiou a carreira musical dos criminosos. 



Musicalmente, os noruegueses foram bastante influenciados pela banda brasileira Sarcófago optando por uma estética sonora rudimentar que, no caso brasileiro, era limitação causada pelo subdesenvolvimento econômico. Com o passar do tempo, a simples definição de Black Metal se tornou insuficiente pois o espectro sonoro foi sendo ampliado com elementos folclóricos da Escandinávia pré-cristã, dando origem a novos rótulos, como o folk e o pagan-metal, por exemplo.


Burzum Black Metal Norueguês
Immortal Black Metal Norueguês
Mayhem Black Metal Norueguês
Emperor Black Metal Norueguês
  

Muito provavelmente, foram a insatisfação e o descontentamento que nos fizeram descer das árvores e caminhar sobre os dois pés. Se isto significou a Queda ou o Paraíso Perdido não importa mais. O que importa é que é isto o que significa ser humano: este fogo queimando a alma; nos fazendo querer sempre mais. Se é o fogo roubado por Prometeu** ou o fogo da Luz Da Manhã***, não vem ao caso pois, onde houver uma alma insatisfeita, descontente, ou seja, uma alma rebelde, como diz outro trecho da musica a qual foi tirado o verso que dá título a este texto, haverá um Diabo que "fica dando os toques".

* Verso extraído da música Rock Do Diabo composta por Raul Seixas e Paulo Coelho e lançada por Raul Seixas no álbum Novo Aeon, em 1975.

** Titã que, na mitologia da antiga Grécia, roubou o fogo dos deuses e o deu para a humanidade, sendo, por isso, castigado.

*** Luz Da Manhã é um dos significados do nome Lúcifer, atribuído, comumente ao Diabo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

WAVE OF MUTILATION - PIXIES ( TRADUÇÃO)

          A música Wave Of Mutilation foi composta por Black Francis e lançada pela banda Pixies no álbum Doolittle, no ano de 1989.


Kim Deal, Joey Santiago, David Lovering & Black Francis -- Pixies

"ONDA DE MUTILAÇÃO"

deixo de resistir, dando meu adeus
dirijo meu carro dentro do oceano
você pensará que estou morto, mas navegarei para longe
numa onda de mutilação

tenho beijado sereias, cavalgado o el niño
caminhado na praia com os crustáceos
poderia encontrar meu caminho para Mariana
numa onda de mutilação





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

10.000 ANOS À FRENTE


Os 24 Maiores Sucessos Da Era Do Rock 1973

Krig-ha, Bandolo! 1973

Gita 1974

Novo Aeon 1975

Há 10 Mil Anos Atrás 1976

Raul Rock Seixas 1977
                                                                                                                                                                  Em suas Crônicas, Bob Dylan, recordando da primeira vez que ouviu os Beatles no rádio, disse que era como uma lufada de ar fresco em meio ao que tocava. Ouvindo os primeiros álbuns da banda, até hoje, a observação de Dylan se faz pertinente. Mesmo nos covers que, por exemplo, somam a metade do 1° álbum, a entrega, a gana, a garra e toda uma série de adjetivos equivalentes, não deixam as gravações envelhecerem: são atemporais em sua relevância. Você consegue ouvir nas gravações o que o moleque Lennon entendeu de seus ídolos norte-americanos: uma música suficiente para direcionar toda uma vida; uma música suficiente para defendê-la com a vida. Em suma, o que faz o Rock ser Rock.

O conjunto de álbuns que Raul Seixas gravou pela antiga gravadora Philips, de 1973 até 1977 ( Os 24 Maiores Sucessos Da Era Do Rock, 1973; Krig-ha, Bandolo!, 1973; Gita, 1974; Novo Aeon, 1975; Há 10 Mil Anos Atrás, 1976; e Raul Rock Seixas, 1977), e que agora é relançado numa caixa intitulada 10.000 Anos À Frente, faz jus à noção de relevância apontada no parágrafo anterior.

O que Raul Seixas fez nesse álbuns era, na época, original? Não. No entanto, o jeito com que ele fez, sim, é original. A Tropicália já havia misturado ritmos brasileiros ao Rock, porém, o resultado é o de uma colagem com ranço intelectualóide. Por exemplo, o sotaque caipira de Rita Lee na música 2001 é caricato. Se intencional ou não, é outra história e, diga-se de passagem, os melhores momentos dOs Mutantes foram longe do alcance da Tropicália.O sotaque nordestino em Raul não soa caricato: ele é nordestino. Todavia, todos os álbuns são um desfile caricatural, mas caricaturas feitas com gana e garra tamanhas que não tem como não ser autêntico.

O espírito desleixado das gravações é herdeiro direto dos álbuns chapados de Dylan entre 1964 e 1966, com direito a sons escatológicos na introdução de As Minas Do Rei Salomão, presente no álbum Há 10 Mil  Anos Atrás e erro de concordância de gênero em Água Viva, do álbum Gita.

O misticismo só pode ser levado a sério se visto como metáfora para o descontentamento e a transgressão. Isto faz lembrar Zé Ramalho introduzindo, num show, sua versão de Trem Das 7: "Esta é de um companheiro de profecia". Se Raul pudesse ouvir, racharia o bico de tanto rir, afinal o que é a capa de Há 10 Mil anos atrás senão uma auto-gozação à sua imagem de profeta. O que sobra, na verdade, em todos os álbuns, é o espírito iconoclasta e descrente de um crítico feroz que repudiou, com todas as forças, a índole das "formigas que trafegam sem porquê". Em diversas ocasiões, Paulo Coelho contou a história de que Raul queria sua ajuda para traduzir abstratos conceitos filosófico-existenciais para o povão.

 Musicalmente falando, há roubos descarados. Ave Maria Das Ruas, de Há 10 Mil Anos Atrás, é uma versão não creditada de Bridge Over Troubled Water, de Paul Simon. A Verdade Sobre A Nostalgia, de Novo Aeon e o cover de My Baby Left Me de Raul Rock Seixas são a mesma música com letras diferentes e deste último álbum é sempre lembrada a junção de Blue Moon Of Kentucky com Asa Branca, uma das tentativas de Raul em mostrar que o música nordestina não estava longe do Rock'n'roll mas, menos óbvio, é delicioso ouvir a levada de baião presente na versão de By, By Love.

Excelente produtor com apurado faro musical, Raul Seixas soube se cercar de músicos capazes de produzir Rock em pé de igualdade ao que se fazia de melhor no estilo, em qualquer lugar do Planeta. Ouçam as músicas e confiram: é técnica e feeling sem par. Para tanto, lançou mão dos anos trabalhando com a produção de discos populares e usou, a seu favor, todo um amálgama de estilos musicais, além das levadas nordestinas já apontadas. O conjunto é esquizofrênico porém, nunca é demais reiterar, o que dá liga é o espírito roqueiro faca entre os dentes, como se a vida dependesse de cada canção, mesmo as mais vulgares. É logico que há momentos datados, citações de época, mas prevalece questionamentos, inquietações e propostas presentes na alma humana desde onde o mundo é mundo até onde o mundo for mundo.

Um axioma filosófico recheado de cafonice, como o refrão de um bolerão popular; a pieguice de um relacionamento desfeito elevada à condição de tragédia grega; fábulas ambientais e insurrecionais envolvendo peixes e moscas; levanta a cabeça rapaz, senão você não vê o disco-voador; o valor de estar vivo para ver o Sol nascer e poder fazer aquilo que se quer repeitando o querer de outrem: "o amor só dura em liberdade".

Sem sombra de dúvida, a obra de Raul não se resume a esses seis álbums, mas eles são o seu legado maior. Em conjunto uma obra autêntica e atemporal mas, acima de tudo, desafiadora. São raros os que defendem uma canção como se dela dependesse a vida. 

SHINE ON YOU CRAZY DIAMOND - PINK FLOYD ( TRADUÇÃO)


Capa do álbum Wish You Were Here
A canção Shine On You Crazy Diamond foi lançada pelo Pink Floyd no álbum Whish You Were Here, no ano de 1975. Foi composta por Gilmour,  Waters e Wright, mas a letra é de Roger Waters e, como ele já atestou, "homenageia" Syd Barret, o fundador da banda que havia se fechado em uma densa névoa de loucura, sucumbindo ao ritmo desenfreado do psicodelismo de fins dos anos 60.
Diz a lenda que Syd apareceu totalmente desfigurado no estúdio, durante as gravações do álbum. Quando mostraram as músicas para ele, ele teria dito que soava muito antigo.


"BRILHA EM VOCÊ O LOUCO DIAMANTE"

Parte Um

Se lembra quando era jovem, brilhava como o sol
Brilha em você o louco diamante
Agora há um jeito em seu olhar, como buracos negros no céu
Brilha em você o louco diamante
Você foi pego no fogo cruzado entre a infância e o estrelato,
Soprado pela brisa de aço
Está em você o motivo para as longínquas gargalhadas,
Está em você o estrangeiro, a lenda, o mártir e brilha!
Você desvendou o segredo muito jovem
E chorou para a lua
Brilha em você o louco diamante
Intimidado pelas sombras noturnas, exposto à luz
Brilha em você o louco diamante
Você esgotou suas boas vindas na precisão do acaso
Flutuou na brisa de aço
Está em você o delirante, o visionário,
Está em você o pintor, o flautista, o prisioneiro e brilha!

Parte Dois

Ninguém sabe onde você está, se longe ou perto
Brilha em você o louco diamante
Superando muitos níveis, me unirei a você
Brilha em você o louco diamante
E nos aqueceremos na sombra do triunfo de ontem
E navegaremos na brisa de aço
Está em você a criança, o vencedor e o perdedor,
O garimpeiro da verdade e da desilusão e brilha!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O ROCK'N'ROLL E O ROCK

 

Diz a lenda que o nome Rock'n'roll veio de uma frase usada pelos velhos bluesmen para se referir à boa e velha trepada. Algo como, em bom português, "deitar e rolar". Foi um disc jockey norte-americano que atribuiu tal nome a um novo som.

Como estilo musical, o Rock'n'roll tem fronteira espaço/temporal bem delimitada: é um tipo de música norte-americana surgido no início da década de 50 do século passado. Música feita por pioneiros como Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richards, Jerry Lee Lewis, Bo Diddley e outros não menos importantes e que tinha, em sua estrutura, fortes elementos do Blues. Este tipo de música, no início da década seguinte, já era visto, nos meios de comunicação da época, como ultrapassado, porém, enquanto durou, foi incendiário.

No outro lado do Atlântico, toda uma geração se moldou ouvindo o Rock'n'roll norte-americano e, encabeçada pelos Beatles, daria continuidade e complementaridade ao estilo musical. Ao Rock'n'roll de raízes norte-americanas foram sendo agregados elementos culturais dos mais diversos e os limites artísticos do estilo foram expandidos. Concomitantemente, de mero entretenimento juvenil, o estilo musical foi promovido à condição de arte séria, passível de ser discutida intelectualmente. Para tanto, ao lado dos Beatles, foi essencial a participação de um jovem judeu de Minnesota, de nome Robert Allen Zimmerman, que, ao terminar o colegial, tinha como sonho se juntar à banda de apoio de Little Richard; fez muito mais: deu às letras de música a condição de poesia.

Enquanto o Rock'n'roll surgiu nos Estados Unidos e, via exportação do american way of life, esparramou influências através do mundo, o que é comumente chamado hoje de Rock, veio da geração de músicos ingleses que, importante reiterar, tendo os Beatles na linha de frente, assimilou e expandiu as características norte-americanas do estilo, esboçando fronteiras até hoje não ultrapassadas.

IF THE DOGS RUN FREE - BOB DYLAN ( TRADUÇÃO)

Bob Dylan
Segue abaixo a tradução da música If The Dogs Run Free, escrita por Bob Dylan e lançada no album New Morning, em 1970.



"SE OS CACHORROS CORREM LIVRES"

Se os cachorros correm livres, porque não podemos
Mergulhando através da planície?
Meus ouvidos ouvem uma sinfonia
De duas mulas, trens e chuva
O melhor ainda está por vir
Foi o que me ensinaram
Apenas faça o que tem de fazer
E será um rei
Se os cachorros correm livres

Se os cachorros correm livres. porque não eu
Através do pântano do tempo?
Minha mente tece uma sinfonia
E uma tapeçaria de rimas
Oh, os ventos levam meu conto para ti
Por isso ele pode fluir e ser
No seu próprio jeito, todo desconhecido
Se os cachorros correm livres

Se os cachorros correm livres, então o que tem que ser
Será, e isto é tudo
O verdadeiro amor pode fazer uma folha de grama
Se levantar reta e alta
Em harmonia com o mar cósmico
O verdadeiro amor não precisa de companhia
Ele pode curar a alma, pode curá-la completamente
Se os cachorros correm livres