The Good & Old Rock'n'roll

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Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

GALERIA MUSICAL: A PEDRA DO GÊNESIS

Capa do álbum A Pedra Do Gênesis


Segue abaixo a resenha do álbum "A Pedra Do Gênesis", gravado por Raul Seixas e lançado no ano de 1988. O texto da resenha foi originalmente publicado no site Galeria Musical.


Se desconsiderarmos o disco com o Marcelo Nova, este é o último registro de Raulzito. Dá para ver a chama se apagando. Restava apenas um fiapo de voz de alguém que, se nunca foi um "crooner" primoroso, sempre soube impor personalidade e atitude em suas características vocais.

Outro ponto constrangedor no álbum é o fato de Raul se agarrar às glórias do passado como um náufrago a um pedaço de madeira. É só olhar para a capa, ouvir a canção título* e "A Lei", para encontrarmos a reciclagem barata do misticismo fuleiro que o fez famoso na década de 1970, algo que já vinha sendo tentado desde o álbum anterior, com uma versão em inglês para "Gîtâ". Isto somado a uma mistura bizarra de timbres eletrônicos, principalmente na bateria, com a instrumentação tradicional., mostra um Raul Seixas tristemente sem rumo.

Porém, sua versão para "Check Up", anteriormente gravada com outro título e outra letra por Rita Lee, "Fazendo O Que O Diabo Gosta", "Cavalos Calados" (depois regravada por Cazuza), o tema folclórico "Lua Bonita", "Senhora Dona Persona" e, fechando com chave de ouro, a singeleza de "Areia Da Ampulheta" mostram que, mesmo caindo das pernas, está lá tudo aquilo que fez do homem mito, objeto de culto, persona da cultura popular nacional: "toca Raul!!!".

O sucesso do álbum foi uma versão de "No No Song", gravada por Ringo Starr (???!!!), chamada "Não Quero Mais Andar Na Contramão" que, numa letra malandra, justificava (tardiamente) não gozar mais dos prazeres do vício. Tarde demais? Para o homem Raul Seixas até podia ser mas, como diz a letra de "Senhora Dona Persona", "os homens passam e as músicas ficam".

(*) Observação: Talvez Raul estivesse sendo pressionado, como sabemos ser comum, pela gravadora, para que reeditasse a popularidade perdida dos anos 1970. Se foi, a sacada do Maluco Beleza foi concluir que o segredo da existência não deve ser procurado no esotérico e não possui mistério algum. Ao contrário, mais que na nossa cara, está na sola dos nossos pés, pisado displicentemente enquanto olhamos para as alturas, na vã esperança de que as respostas caiam do céu. Para quem cultua o Raulzito místico, uma puxada de tapete de, nos versos do poeta, "um santo sem fé em nenhum mundo além do mundo".











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