The Good & Old Rock'n'roll

The Good & Old Rock'n'roll
Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CLASSIC COVER & COVER

The Beatles -- Sgt. Peppers Lonely Heart's Club Band  (1967) e...

...Frank Zappa And The Mothers Of Invention -- We're In It Only For The Mo-
ney (1968).

CLASSIC COVER & COVER

The Beatles -- Abbey Road (1969) e...


...Echo & The Bunnymen -- Songs To Learn & Sing (1985).

ROCK'N'ROLL LTDA.




O advento da internet e, consequentemente, das redes sociais agilizou a troca de informações e democratizou o conhecimento. Para quem quer conhecer a informação. Mas possibilitou cada internauta ser o centro do seu universo. Assim, a foto do prato de comida de um ilustre desconhecido se torna tão relevante quanto a evidência de um buraco negro captada pelo Hubble, ou a transição para a democracia numa nação com governo despótico. E ai daqueles que discordarem: num mar de informações, a diferença de opinião faz vir à tona o que, na verdade, impera no mundo cibernético: a ignorância.

Nesse mundo bizarro onde as informações mais procuradas são fofocas e os "debates" têm a profundidade de um bando de Marias Lavadeiras desocupadas no "murão" da web, criando calo nos cotovelos e cuidando da vida alheia, a mais nova onda é a molecada que está começando a montar uma banda de rock se referir à mesma como uma empresa. Tipo: "eu, Fulano de Tal, funcionário da empresa (nome da banda)". A pergunta que não cala diante do insólito da situação é: Que porra é essa?!!!

Tudo bem. Sabemos que, ao longo se sua história, o rock está profundamente vinculado à indústria do entretenimento ou, se preferirem, indústria cultural. Portanto, fatalmente, ao se viabilizar, uma banda acaba se tornando uma espécie de empresa, mas confundir causa com efeito é dose!

Se analisarmos, 90% dos roqueiros que produziram uma obra relevante para a história do rock eram tudo, menos funcionários que picavam, rotineiramente, seu cartão de ponto. Ao contrário, eram desajustados, párias que canalizavam a frustração da inadequação às normas e regras sociais para a música que faziam. Só nesse sentido o rock pode ser levado a sério. Senão, é medíocre.

Quando não há um incômodo, uma frustração, uma mágoa ou uma revolta a ser expurgada, sobra somente o lado burocrático da coisa e, aí, começa a haver confusão: música pesada se torna música feita com guitarra distorcida; guitarrista bom é aquele capaz de digitar um trilhão de notas por compasso e o rock, enquanto arte, passa a ter a profundidade de uma poça d'água suja na calçada. Não é à toa que tem moleque achando que o Heavy Metal foi inventado por Avenged Sevenfold e cultua umas bandas que tentam fazer música clássica com guitarra, baixo e bateria.

Música clássica pode ser sinônimo de consenso social e, se era para ouvi-la era só por os discos dos pais para tocar. Desta forma, os branquelos e os negões norte-americanos, nos anos 1950, se abalaram inutilmente parindo esse tal de rock'n'roll.

"Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito
Tudo aquilo que fizemos
Nós ainda somos o mesmos
E vivemos como nossos pais."

                                             Belchior.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

CLASSIC COVER

Arnaldo & Patrulha Do Espaço - "Faremos Uma Noitada Excelente..." - 1978

CLASSIC COVER & COVER

The Beatles - Please, Please Me - 1963 - e...

1967/1970 - 1973.

CLASSIC COVER & COVER


Higway 61 Revisited -1965 -, de Bob Dylan...
...e uma versão classuda.

CLASSIC COVER & COVER

Primeiro álbum de Elvis - 1956 - ...

...e London Calling - 1979 -, do The Clash.

SUZIE Q OU SUZI QUATRO? -- UMA CRÔNICA

Capa da gravação original de Suzie Q

As leituras já haviam se embaralhado na minha memória quando ouvi, pela primeira vez, a música Suzie Q, gravada pela banda Creedence Clearwater Revival. Explico: cresci ouvindo música numa época anterior à partilha de arquivos digitais pela web. Era mais fácil ler sobre músicas e músicos que você nunca havia ouvido que, propriamente, ouvi-los.

Estaria John Fogerty, o compositor da banda, homenageando uma roqueira dos anos 1950? Não. Não era bem isso. Suzie Q era, assim como outras músicas  em seus discos, um excelente cover feito pelo Creedence de um clássico rock dos anos 1950. A roqueira que, supostamente, a banda havia homenageado na verdade não era Suzie Q e, sim, Suzi Quatro e começou a gravar durante a década de 1970, época em que o Creedence já estava se acabando.

Será que o pai da menina a havia batizado homenageando uma música que gostava ou, ainda, a roqueira havia escolhido um nome artístico inspirado na velha canção? Nem uma coisa nem outra.

Susan Kay Quatro é descendente de italianos e seu sobrenome é a abreviatura de Quatrocchio, realizada por seu avô. Traduzido do italiano, Quatrocchio significa "quatro olhos", apelido pejorativo usado para gozação, ou mais na ordre du jour e toda essa frescurada politicamente correta, o bullying com quem usa óculos.

Só há bem pouco tempo atrás, fui ver uma foto de Suzi Quatro. Ela não usava óculos, porém, achei em seu olhar uma singela tristeza. Algo estranho para uma roqueira e, mais ainda, não condiz com a personagem aparentemente cheia se si apresentada na música:

"(...)
Gosto do jeito que você anda
Gosto do jeito que você fala
Gosto do jeito que você anda
Gosto do jeito que você fala
Oh Suzie Q

Peço que seja verdadeira
Peço que seja verdadeira
Peço que seja verdadeira
E nunca me deixe triste
Oh Suzie Q
(...)"

Talvez seja apenas mais um equívoco de alguém que lê e ouve música a partir de erros.


Os occhios de Suzi Quatro







sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"MUTANTES E SEUS COMETAS NO PAÍS DOS BAURETS"

Capa do álbum Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets

Segue abaixo a resenha do álbum Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets, gravado pela banda Os Mutantes e lançado no ano de 1972. O texto foi originalmente publicado no site Galeria Musical no dia 13 de janeiro de 2015.

Último disco d'Os Mutantes a contar com a participação dos irmãos Baptista junto a Rita Lee. Não chega a ter a coesão e a classe do anterior Jardim Elétrico pois, ao que parece, a liga entre os integrantes da banda (além dos três já citados, o baixista Liminha e o baterista Dinho), não mais funcionava.

A grande verdade é que, antes de originais, Os Mutantes sempre foram ótimos tradutores daquilo que melhor se produzia internacionalmente, em termos de rock, para o solo pátrio. Vida De Cachorro, por exemplo, é quase que um plágio de Blackbird dos Beatles. Cantor De Mambo explora elementos latinos bem ao estilo do que Santana vinha fazendo e, dizem, era uma crítica ao prestígio que o músico Sérgio Mendes gozava na gringa. Se verdade, além de ressentida, é de muito mal gosto. Dune Buggy e A Hora E A Vez Do Cabelo Nascer são odes escancaradas ao uso do LSD que, diga-se de passagem, cobrou um alto preço de Arnaldo.

As duas grandes pérolas do álbum são, sem sombra de dúvidas, Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe Desde Que Eu Tenha O Rock And Roll, paródia do clássico de Carl Perkins, Blue Suede Shoes, feita por Liminha e a linda Balada Do Louco, composição de Rita e Arnaldo, bastante inspirada em Hey Jude. A pegada hard de Beijo Exagerado também merece destaque, apesar da letra fraca.

Sobre o cover de Rua Augusta, nada que chegue perto do entusiasmo de Banho De Lua, de segundo disco e, para encerrar, há uma vinheta composta por Bororó, um dos inúmeros "malucos" que viviam "na veia" da banda, chamada Todo Mundo Pastou e dividida em duas partes, cada uma fechando um dos lados do vinil original, que tinha a missão de ser engraçada mas, francamente, só mesmo com muito ácido na cabeça...

A música que dá título ao álbum (Baurets foi um codinome cunhado pelo genial Tim Maia para se referir à maconha, na cidade de Bauru, interior de São Paulo -- Baurets; Bauru, sacaram?) aponta o rumo que a banda passaria a  seguir, ou seja, o rock progressivo, onde o senso de humor, o nonsense e a jovialidade, tão caros à banda até aqui, seriam substituídos por uma sisudez onde a realidade deturpada pelo uso do LSD ganharia tons religiosos. Rita, malandra que só, sacou a furada e pulou fora do barco, se fazendo do vítima, rumo a uma carreira solo de sucesso. Arnaldo, totalmente desnorteado, foi o próximo, cabendo a seu irmão, o guitarrista Sérgio, dar continuidade ao afundamento progressivo da banda.


Os Mutantes em 1972: Liminha, Arnaldo, Dinho, Rita e Sérgio (no sentido
horário, da esquerda para a direita).