The Good & Old Rock'n'roll

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Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"MUTANTES E SEUS COMETAS NO PAÍS DOS BAURETS"

Capa do álbum Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets

Segue abaixo a resenha do álbum Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets, gravado pela banda Os Mutantes e lançado no ano de 1972. O texto foi originalmente publicado no site Galeria Musical no dia 13 de janeiro de 2015.

Último disco d'Os Mutantes a contar com a participação dos irmãos Baptista junto a Rita Lee. Não chega a ter a coesão e a classe do anterior Jardim Elétrico pois, ao que parece, a liga entre os integrantes da banda (além dos três já citados, o baixista Liminha e o baterista Dinho), não mais funcionava.

A grande verdade é que, antes de originais, Os Mutantes sempre foram ótimos tradutores daquilo que melhor se produzia internacionalmente, em termos de rock, para o solo pátrio. Vida De Cachorro, por exemplo, é quase que um plágio de Blackbird dos Beatles. Cantor De Mambo explora elementos latinos bem ao estilo do que Santana vinha fazendo e, dizem, era uma crítica ao prestígio que o músico Sérgio Mendes gozava na gringa. Se verdade, além de ressentida, é de muito mal gosto. Dune Buggy e A Hora E A Vez Do Cabelo Nascer são odes escancaradas ao uso do LSD que, diga-se de passagem, cobrou um alto preço de Arnaldo.

As duas grandes pérolas do álbum são, sem sombra de dúvidas, Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe Desde Que Eu Tenha O Rock And Roll, paródia do clássico de Carl Perkins, Blue Suede Shoes, feita por Liminha e a linda Balada Do Louco, composição de Rita e Arnaldo, bastante inspirada em Hey Jude. A pegada hard de Beijo Exagerado também merece destaque, apesar da letra fraca.

Sobre o cover de Rua Augusta, nada que chegue perto do entusiasmo de Banho De Lua, de segundo disco e, para encerrar, há uma vinheta composta por Bororó, um dos inúmeros "malucos" que viviam "na veia" da banda, chamada Todo Mundo Pastou e dividida em duas partes, cada uma fechando um dos lados do vinil original, que tinha a missão de ser engraçada mas, francamente, só mesmo com muito ácido na cabeça...

A música que dá título ao álbum (Baurets foi um codinome cunhado pelo genial Tim Maia para se referir à maconha, na cidade de Bauru, interior de São Paulo -- Baurets; Bauru, sacaram?) aponta o rumo que a banda passaria a  seguir, ou seja, o rock progressivo, onde o senso de humor, o nonsense e a jovialidade, tão caros à banda até aqui, seriam substituídos por uma sisudez onde a realidade deturpada pelo uso do LSD ganharia tons religiosos. Rita, malandra que só, sacou a furada e pulou fora do barco, se fazendo do vítima, rumo a uma carreira solo de sucesso. Arnaldo, totalmente desnorteado, foi o próximo, cabendo a seu irmão, o guitarrista Sérgio, dar continuidade ao afundamento progressivo da banda.


Os Mutantes em 1972: Liminha, Arnaldo, Dinho, Rita e Sérgio (no sentido
horário, da esquerda para a direita).

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