The Good & Old Rock'n'roll

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Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

segunda-feira, 16 de março de 2015

SHADOWS IN THE NIGHT - BOB DYLAN

Capa do álbum Shadows In The Night.

Desde o final da década de 1990, quando lançou Time Out Of Mind e, segundo a crítica especializada, voltou a produzir conteúdo autoral relevante, Bob Dylan assumiu de vez a estética sonora à qual sempre afirmou pertencer: o rock'n'roll da década de 1950, particularmente o produzido na gravadora Sun Records, onde Elvis Presley iniciou sua carreira.

Nas sessões que gravou na Sun, Elvis despiu Blue Moon, um standard do cancioneiro norte-americano, de todo e qualquer adereço, expondo, num minimalismo arrebatador, a alma da canção. Guardadas as devidas proporções, é este o caminho tomado por Bob Dylan no álbum Shadows In The Night, tanto que, ao divulgá-lo, em seu site, afirmou que o maior desafio foi "traduzir" canções gravadas originalmente com orquestrações de até quarenta músicos para a formação de cinco músicos de sua banda de apoio.

Ao todo, são dez standards gravados anteriormente por Frank Sinatra e, ao ouvi-los, pode-se dizer que Dylan foi bem sucedido em sua empreitada. Isto não significa preterir o trabalho de Sinatra em relação ao seu: são ângulos muito diferenciados.

A sustentação do álbum se dá pela presença da steel guitar, cumprindo a função das orquestrações originais e, assim, atribuindo às canções um caráter mundano. É o clima de espelunca de beira de estrada, de músicos curtidos pelo pó do caminho, do qual Dylan e sua banda em sua Turnê Sem Fim são tão íntimos, que tira as canções do sossego dos catálogos de colecionadores a as joga no vórtice da vida. Não há beleza na interpretação de Dylan. Não esta beleza previsível à qual nossos ouvidos estão acostumados.

Bob Dylan e sua banda.


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