The Good & Old Rock'n'roll

The Good & Old Rock'n'roll
Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

THE BEATLES: A SAGA DE "LET IT BE"

Capa do álbum Let It Be.

Como todos sabem, Let It Be é o último álbum lançado pelos Beatles, mas não foi o último a ser gravado. Este foi o Abbey Road.

Desde a gravação de Sgt. Peppers Lonely Heart's Club Band, Paul McCartney havia assumido o direcionamento musical do conjunto, já que John Lennon mergulhara numa letargia lisérgica descomunal. É sabido também que, após a morte do empresário Brian Epstein, os egos dos integrantes afloraram, gerando atritos que culminariam inevitavelmente no fim da banda.

Antes, porém, o afloramento de egos deu origem ao álbum duplo The Beatles, também conhecido como White Album ou Álbum Branco, em razão de sua peculiar capa (a ideia de Paul era uma espécie de desintoxicação do excesso de informações presente na capa de Sgt. Peppers). Ali, os Beatles descansaram de ser banda e chega a ser palpável a individualidade de cada integrante através das faixas. Ao contrário da simplicidade da capa, o conjunto de canções é um "Frankenstein musical", uma obra esquizofrênica mas, como em tudo que os "quatro de Liverpool" tocavam, de uma musicalidade fascinante.

Capa do Álbum Branco.

A sequência, se descontarmos a trilha sonora de Yellow Submarine, mais ou menos um EP acrescido de temas instrumentais compostos e arranjados pelo produtor George Martin, seria o conjunto de músicas que acabou dando origem ao álbum Let It Be, o qual esteve, entre os anos de 1969, quando começou a ser gravado e 1970, quando foi, finalmente, lançado, envolvido numa trama épica digna de Homero.

A ideia, novamente de Paul, era interessantíssima: despir a sonoridade da banda de todos os efeitos e truques explorados, a partir de meados dos anos 1960, em estúdio, numa espécie de "back to the basic" que, segundo McCartney, tinha como objetivo derradeiro ressuscitar o espírito de companheirismo e camaradagem , o qual uniu e fortaleceu a banda nas dificuldades dos anos iniciais. O problema é que eles não eram mais quatro moleques "durangos" lutando, com unhas e dentes, por um lugar ao sol, mas sim quatro milionários com egos inflados (talvez com exceção de Ringo, não na parte dos milionários), cada um tentando fazer valer sua vontade sobre os demais.

Seguiu-se, então, uma sequência de descaso, sabotagem, ironia e mesquinharia enquanto a música ia se fazendo ouvir, toda ela documentada no filme Let It Be, do qual o disco lançado foi trilha sonora.

Lennon, desperto de sua letargia e, segundo as más línguas, influenciado por Yoko Ono, com sua personalidade forte, foi de encontro à hegemonia de Paul, não apenas no direcionamento musical, mas em tudo que envolvia a banda, em especial nos espinhosos assuntos financeiros.

No sentido musical, uma das exigências de John foi o afastamento do produtor George Martin, acusado de diluir o sentido roqueiro da banda em experiências com música erudita. O projeto, apropriadamente batizado Get Back tinha até uma capa, que acabou sendo utilizada na coletânea The Beatles 1967/1970, a qual remetia ao primeiro álbum lançado pela banda.

The Beatles 1967/1970.

Please Please Me.

Acostumados à grandiosidade das produções do velho George, os Beatles ficaram horrorizados diante do resultado de sua sonoridade "nua". Engavetaram tudo e chamaram Martin de volta para produzir seu "canto do cisne": a obra-prima Abbey Road. Como músicos que praticamente não se falavam conseguiram tal maestria é algo a ser estudado pelas ciências.

O fato é que, à revelia de Paul, John, após o lançamento de Abbey Road, voltou a trabalhar nas músicas de Let It Be e, contrariando (pra variar!) tudo o que havia dito, chamou o produtor norte-americano Phil Spector para preencher com seus overdubs ( o famoso Wall Of Sound), os espaços deixados pela simplicidade do quarteto tocando sem firulas.

Mesmo contra a vontade de Paul, que ficou "de cabelo em pé" com o resultado, o álbum foi lançado em 1970 e, apesar de tudo, tornou-se, rapidamente, uma unanimidade entre os admiradores da banda, com o agravante sentimental de ser a derradeira obra lançada pelos Fab Four.

Em 2003, McCartney teve, finalmente, um certo grau de satisfação com o lançamento de Let It Be... Naked, onde a mixagem "nua" que ele pretendia pôde, enfim, ver a luz do dia. Uma pena foi a ideia da capa e do título ter sido substituída de maneira empobrecedora. A música porém... Ah, a música!

Capa do álbum Let It Be... Naked.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

KILLING MOON - ECHO & THE BUNNYMEN (TRADUÇÃO)

A canção Killing Moon foi lançada como single em 1984 pela Banda Echo & The Bunnymen. É uma composição coletiva da banda, na época formada pelo guitarrista Will Sergeant, pelo vocalista Ian McCulloch, pelo baixista Les Pattinson e pelo baterista Pete De Freitas.

Capa do single Killing Moon.

Sob a triste lua eu te vi
Tão cedo você me levará
Em seus braços
Tarde demais para implorar ou desistir
Acho que sei que é perda de tempo
Contrariadamente minha

Destino
Você se levantará contra
Mas curto e grosso
Ele irá esperar
Até que você se entregue

Nas noites estreladas eu te vi
Tão cruelmente você me beijou
Um mundo mágico em seus lábios
Seu céu cheio de joias penduradas
A lua assassina
Logo chegará

Echo & The Bunnymen

sexta-feira, 12 de junho de 2015

CLASSIC COVER & COVER

Emerson, Lake & Palmer - Works Volume 1 (1977)...

...e Engenheiros Do Hawaii - Gessinger, Licks & Maltz (1992)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

TAKE A PEBBLE - EMERSON, LAKE & PALMER (TRADUÇÃO)



A canção Take A Pebble foi lançada no ano de 1970 pelo trio de rock progressivo Emerson, Lake And Palmer, em seu primeiro e homônimo álbum. A composição é do vocalista e baixista Greg Lake.

Capa do álbum Emerson, Lake & Palmer.

PEGUE UMA PEDRA

Basta pegar uma pedra e atirá-la ao mar
E então observar as ondas quebrarem dentro de mim,
Meu rosto se derrama gentilmente dentro de seus olhos,
Perturbando as águas de nossas vidas.

Farrapos de nossas lembranças caídos sobre suaa grama;
Palavras feridas pelo riso são  túmulos do passado.
Fotografias desbotadas e rasgadas, esparramadas por seus campos
Cartas que em suas lembranças não existem.

Tristeza em seus ombros como um casaco surrado
Nos bolsos estão amassados os trapos de nossa esperança.
O amanhecer é sua meia-noite; todas as cores estão mortas,
Perturbando as águas de nossas vidas, de nossas vidas...

Emerson, Lake And Palmer

                                   






quarta-feira, 10 de junho de 2015

LOBÃO: ENTRE A ARTE E O PANFLETO


Hoje, Lobão se diz "do rock", mas já teve época em que ele se dizia MPB, a mesma que, agora, desdenha. O argumento era plausível: se dizia músico, e não era de formação erudita, portanto, popular e, por último, brasileiro, então, era um Músico Popular Brasileiro. Existe, no You Tube, um vídeo do programa Ensaio, da TV Cultura, confirmando tudo. Não há problema algum em ser rock ou MPB. O problema é a necessidade de rótulo. Quem é não precisa dizer.

Como músico popular brasileiro fortemente influenciado pelo rock, Lobão é autor de uma obra muito relevante para a história da música nacional, tanto por sua originalidade quanto por sua contundência.

Talvez por influência de seus ídolos roqueiros, em especial Lennon, Lobão nunca teve travas na língua. Isto somado ao fato de ele não ter tido medo, em plena época de transição da "ditadura" para a "democracia", em assumir um estilo roqueiro de vida, ou uma "Vida Bandida", como diz o título de uma de suas músicas, fez dele uma espécie de inimigo público do poder instituído. Enquanto Lobão conciliou este lado persona non grata com seu lado músico, um até complementava e contribuía para o enriquecimento do outro.

Porém, em meio ao processo era possível percebermos pistas do rumo que as coisas acabariam tomando. No governo Sarney, Lobão lançou a música O Eleito e, em seguida, nos curtos "Anos Collor", Presidente Mauricinho. O que ambas as músicas têm em comum? São panfletárias e de qualidade sofrível. Mediocremente datadas. A título de comparação, Suposicollor, dos Ratos de Porão, que aborda o mesmo tema de Presidente Mauricinho, esbanja categoria se comparada com esta.

Até o final do século passado, quando lançou o álbum A Vida É Doce, Lobão teve as rédeas de seu destino nas mãos, e o guiou com maestria. Se existe uma "linha evolutiva da Música Popular Brasileira", o álbum é um perfeito exemplo. Não pedia benção aos coronéis Gil e Caetano como, até hoje, é dogma entre os "emepebistas". Uma espécie de diálogo chapado entre Lou Reed e Tom Jobim durante uma rave, resultando num clima bastante roqueiro, por sua densidade. Mas parou por aí.

O último álbum de inéditas do Velho Lobo, Canções Dentro Da Noite Escura, apesar de bom, não é contundente como o A Vida É Doce (e já tem uma década de idade!). A partir daí, ele tem se dedicado a requentar velhos sucessos em gravações ao vivo e, com mais intensidade, à arte da polêmica. Lobão sempre foi do contra.

O problema em sempre ser do contra é que, se você afirmar simpatias políticas publicamente, fatalmente terá de desdizê-las. Outro problema de Lobão é que, talvez por sua necessidade de rótulos, sempre precisou afirmar em qual alcateia uivava. Tal problema é ainda maior se levado em consideração que, na tradição política brasileira existe apenas oposição e esta, quase sempre, é confundida com posicionamento ideológico, o qual não existe. Direita e esquerda sempre foram aquilo que a sabedoria popular, sabiamente, define como "farinha do mesmo saco", ou seja, uma corja de sanguessugas, cujo objetivo derradeiro é se esbaldar, impunemente, nos cofres públicos. Assim, o Velho Lobo sempre estará mal acompanhado. Melhor uivar sozinho.

E é o que, após disponibilizar na Internet o single Eu Não Vou Deixar, ele vem tentando fazer. No afã de afrontar a covardia dos atuais "donos do poder" em se esconderem atrás de vagos "conceitos socialistas" de coletividade, Lobão resolveu afirmar sua individualidade gravando sozinho todos os instrumentos. Resultado: como as já citadas O Eleito e Presidente Mauricinho, um "panfleto musical" pobre de doer. Contradizente que só, Lobão ainda foi procurar apoio na coletividade (o tal do crowdfunding)  para a viabilização do projeto. Porém, não se paga por panfletos. Você o recebe gratuitamente, geralmente de maneira indesejada, nas ruas. 

Para os apreciadores da boa música, bom seria se Lobão atentasse mais aos abismos da alma, e não aos abismos da política, como matéria-prima para suas canções. Ele já provou saber fazer isto muito bem, mas será que esqueceu?  


sexta-feira, 5 de junho de 2015

CREEPING DEATH - METALLICA (TRADUÇÃO)

Capa do álbum Ride The Lightining.


A canção Creeping Death foi lançada pela banda Metallica no álbum Ride The Lightning, no ano de 1984.

"MORTE RASTEJANTE"

Escravos
Hebreus nascidos para servir ao faraó
Cuidado 
Com cada palavra, viver com medo
No desconhecido, no libertador
Espera
Alguma coisa deve ser feita, quatrocentos anos

Então deixe ser escrito
Então deixe ser feito
Fui enviado pelo escolhido
Então deixe ser escrito
Então deixe ser feito
Matar o primogênito do faraó
Sou a morte rastejante

Agora
Deixe meu povo ir, terra de Goshen*
Vamos
Eu estarei convosco, arbusto de fogo
Sangue
Correndo vermelho e forte, Nilo abaixo
Escuridão por três longos dias, chuva de fogo

Então deixe ser escrito
Então deixe ser feito
Fui enviado pelo escolhido
Então deixe ser escrito
Então deixe ser feito
Matar o primogênito do faraó
Sou a morte rastejante

Morra pela minha mão
Rastejo pela terra
Matando os primogênitos
Morra pela minha mão
Rastejo pela terra
Matando os primogênitos

Eu
Comando o ar da meia-noite, o destruidor
Nasça 
E logo estarei lá, mortalidade em massa
Eu
Arrasto os passos da escuridão final
Sangue
Portas pintadas com sangue de ovelha, eu passarei

Então deixe ser escrito
Então deixe ser feito
Fui enviado pelo escolhido
Então deixe ser escrito
Então deixe ser feito
Matar o primogênito do faraó
Sou a morte rastejante

*Terra de Goshen era uma região no antigo Egito, ao leste do Nilo, a qual foi dada a Jacó e seus descendentes pelo faraó (fonte:http://dicionario.reverso.net/ingles-definicao/Goshen).

Metallica



quarta-feira, 3 de junho de 2015

BLACKBIRD - THE BEATLES (TRADUÇÃO)


A música Blackbird faz parte do álbum duplo e homônimo gravado e lançado pelos Beatles no ano de 1968, também conhecido como Álbum Branco, por causa de sua capa. Como de costume, é creditada como composição de Lennon/McCartney, mas foi inteiramente composta por Paul. No livro Many Years From Now, MacCartney afirma ser a letra da música inspirada na luta dos negros norte-americanos pelos Direitos Civis. A ave da canção seria a metáfora para uma mulher negra se afirmando numa época conturbada. 

Capa do "Álbum Branco"


PÁSSARO PRETO

Pássaro preto cantando na alvorada
Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar
Toda sua vida
Você esteve esperando por esse momento para se levantar.

Pássaro preto cantando na alvorada
Abra esses olhos e aprenda a ver
Toda sua vida 
Você esteve esperando esse momento para ser livre.

Pássaro preto voe Pássaro preto voe
Para dentro da luz nessa escura noite negra.

Pássaro preto voe Pássaro preto voe
Para dentro da luz nessa escura noite negra.

Pássaro preto cantando na alvorada 
Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar
Toda sua vida
Você esteve esperando esse momento para se levantar 
Você esteve esperando esse momento para se levantar
Você esteve esperando esse momento para se levantar.


Paul gravando "Blackbird"

ELVIS PRESLEY: UM OUTRO LADO DO "REI"

A "família real".

Apesar de ter tido um irmão gêmeo que nasceu morto, Elvis Presley foi criado como filho único e, assim, foi superprotegido por sua mãe Gladys. O resultado foi ele ter desenvolvido uma espécie de fanatismo mórbido pela figura materna, o qual o acompanhou até sua morte. Dizem que, na mansão de Graceland, o quarto da mãe, depois desta ter morrido, ficou intocado e somente Elvis podia adentrá-lo. 

Segundo o livro Elvis E A Revolução Do Rock, escrito pelo biógrafo Sebastian Danchin e publicado no ano de 2010 pela editora Agir, o fato apontado no parágrafo anterior acabou tendo consequências na vida conjugal do "rei do rock".

Após sua esposa Priscilla dar à luz a filha Lisa Marie, Elvis não conseguiu mais vê-la como mulher. Era, em primeiro lugar, mãe e sua fixação pela figura materna anulou seus desejos sexuais pela esposa. Este foi um dos motivos do divórcio que teve, em muito, contribuição para a decadência física e mental que o levou à morte.

No mesmo livro é, também, narrada a obsessão de Elvis Presley por "ninfetas". Ele começou namorar Priscilla quando ela tinha apenas catorze anos de idade. O livro deixa a entender que tal obsessão tinha ligações com o "complexo" de Elvis em relação à figura materna: o corpo feminino em formação de uma adolescente não remetia ao corpo adulto de uma mulher, potencialmente uma mãe.

Paradoxalmente, tal "complexo" está ligado à educação excessivamente religiosa e moralista típica das famílias pobres do sul dos Estados Unidos no Pós-Guerra, a qual inculcava uma noção de respeito quase paranoica na mentalidade do indivíduo em relação aos valores familiares e, consequentemente, à importância da figura materna como sua principal mantenedora (para se ter uma ideia, Elvis se referia às pessoas mais velhas que ele como "senhor" e "senhora", mesmo as negras, isto numa região de forte tradição segregacionista). Jerry Lee Lewis, assim como Elvis, também era chegado numa "ninfeta". A sociedade, na região, encarava com normalidade a situação.

A fortuna de Elvis Presley conseguiu aglutinar ao seu redor uma gangue de sanguessugas e aproveitadores que ficou conhecida como Máfia De Memphis. Eles eram os responsáveis por sair, pelas noites da cidade, à "captura" de "ninfetinhas" que eram conduzidas a Graceland, para satisfazer os desejos do "rei".


Esta é apenas uma entre tantas histórias escabrosas narradas no referido livro. Leitura indicada para aqueles que idolatram astros da música e se esquecem que, antes de tudo, eles são de carne e sangue.

terça-feira, 2 de junho de 2015

MANO SINISTRA: ROCK DE VIOLA

Em álbum homônimo, lançado em 2014, o power trio Mano Sinistra nos brinda com um rock pesado, baseado no som de uma viola caipira que põe muita guitarra elétrica no bolso.



Power trio, no rock, quase sempre é sinônimo de vigor, sustância, peso, contundência, etc. Com o power trio paulistano Mano Sinistra não é diferente. Faz um rock pesado, vigoroso, cheio de sustância e contundente, tanto na sonoridade quanto na poeticidade das letras.

O nome da banda é uma expressão italiana para nomear o canhoto mas é, também, o termo técnico que, nas execuções de piano, define a inversão das mãos no teclado. Um dos nomes do Diabo é "O Canhoto" e, como dizem, "o Diabo é o pai do rock". Um dos integrantes do Mano Sinistra é canhoto.

O power trio é formado por músicos experientes. O baterista Paulo Thomaz já tocou na Centúrias, pioneira banda nacional de heavy metal e hoje toca no  grupo Baranga. O baixista e vocalista Marcos Lucke tocou, entre outros, no Malaco Soul e Houdinis. O violeiro Ricardo Vignini faz parte do projeto Moda De Rock e do Matuto Moderno. Isso mesmo, violeiro. Ricardo toca viola caipira. O Mano Sinistra é um power trio de rock pesado baseado no som da viola caipira. Parece paradoxal, mas não é.

A viola caipira executada com "destreza" (aí sim, um paradoxo, embora linguístico) por Ricardo, raramente remete às convenções do instrumento, às quais, normalmente, nossos ouvidos estão acostumados, ou seja, a sonoridade do sertanejo de raiz ou, dependendo do gosto, música caipira. No Brasil, a associação do rock com o instrumento vem de longa data, porém, sempre considerando agregar elementos regionais à sonoridade do rock, numa espécie de folk rock tupiniquim.

A viola de  Vignini é totalmente "envenenada", pois usa e abusa de distorção e não é adaptada, isto é, uma viola normal amplificada. Ao contrário, foi construída para o rock. Possui corpo maciço e captação sonora peculiar a instrumentos com este tipo de corpo.

Por suas afinações diferenciadas, a "viola elétrica" dá ao Mano Sinistra uma certa originalidade que, em alguns momentos, remete a alguns momentos zeppelinianos, pelo fato de Page fazer uso de afinações e escalas exóticas na guitarra elétrica.

Todos os elementos apontados acima podem ser conferidos, no álbum homônimo, lançado pelo trio no ano de 2014. O rock pesado, executado pelo Mano Negra, é complementado pelas letras de Paulo Nunes ( o "quarto Mano", como diz o encarte e não aquele ex-Grêmio e ex-Palmeiras), as quais adicionam ainda mais peso à sonoridade, por suas temáticas urbanas. Violência, vício, crime, desilusão,solidão e o ritmo frenético da vida nas grandes cidades são abordados de maneira poética, porém, numa poesia fria, enxuta, rude até. O timbre e o estilo vocal de Marcos Lucke acentuam ainda mais o "peso poético" das letras.

O som do Mano Sinistra é altamente indicado aos apreciadores daquele rock pesado, sem firulas, curto e grosso, contundente, desafiador e ainda belo, para os capazes de, aí, encontrar beleza o que, convenhamos, não é todo mundo. Beleza "bruta, rústica e sistemática", fazendo jus aos grandes power trios da história do rock .

Mano Sinistra em ação!