The Good & Old Rock'n'roll

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Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

BANDA RENEGADOS: UM BELO, GRANDE E NECESSÁRIO ÁLBUM

Da cidade de Fortaleza, a banda Renegados lançou, de maneira independente, no ano de 2013, o álbum Além Dos Rótulos, baseado no mais puro Classic Rock setentista.

 

Classic Rock é a maneira encontrada por especialistas para catalogar o estilo de rock praticado por bandas, tanto norte-americanas quanto inglesas, entre o final dos anos 1960 e a década de 1970. Jimi Hendrix Experience, Cream, The Who, Grand Funk Railroad, Creedence Clearwater Revival, Deep Purple, Led Zeppelin, entre muitos, muitos outros, são alguns exemplos. Se tornaram "clássicos do rock" com o passar do tempo. O que se convencionou chamar Classic Rock é, entre os íntimos, também definido como "o bom e velho rock'n'roll".

A formação instrumental básica no estilo é chamada de power trio, ou seja, guitarra, baixo e bateria. Oriunda do Ceará, a banda Renegados é um power trio, formada por Marcelo Renegado (guitarra e vocal), Ricardo Pinheiro (bateria e voz) e Romualdo Bass (contrabaixo), cuja sonoridade é fortemente influenciada pelo Classic Rock. É aquele "rockão antigo", bluesy, encorpado e alicerçado em riffs de guitarra e baixo sustentados por uma bateria timbrada "no couro", como dizem os entendidos. Por suas raízes nordestinas, a sonoridade da banda remete, também, ao grupo O Peso e aos momentos mais roqueiros do Raul Seixas setentista. Podemos, ainda, perceber certa influência, principalmente nos momentos com ênfase acústica, da geração nordestina dos anos 1970, responsável por mesclar ritmos regionais ao rock, da qual fez parte Zé Ramalho, Belchior, Alceu Valença e Fagner.

O álbum Além Dos Rótulos, lançado na cara e na coragem pela banda, isto é, de maneira independente, no ano de 2013, é a síntese perfeita de todos os elementos apontados acima, embalado numa linda capa que contextualiza (ou conceitualiza) o nome do trio: o close nas mãos de alguém queimando sua carteira de identidade, numa afirmação de sua condição de "renegado".

As letras equilibram-se entre temas "líricos" e a crítica sócio-política onde o estilo se faz, também vintage, lembrando, em muito, as "letras de protesto" da época da ditadura militar. Há um frescor inocente nas denúncias de injustiça social, principalmente se considerarmos que, da década de 1970 para cá, muita água passou por debaixo da ponte e os problemas permanecem, agora sob a tutela de quem os denunciava. Inocência de uma ideologia que não sucumbiu à descrença nas possibilidades de mudança.

É, também, com uma certa inocência, abordada a questão do imperialismo estadunidense na música Iraque (A Invasão) onde é simplificada, de maneira maniqueísta, através da representação despótica de George Bush e Tony Blair, a complexidade de nuances que mascaram os interesses envolvidos num conflito militar, inclusive no que diz respeito à liberdade individual, com a qual o rock está intimamente associado e que, fatalmente, entra em xeque toda vez que o sistema capitalista é contestado por lideranças fundamentalistas. Porém, subentende-se que o alvo maior da crítica, na música, é a manipulação maquiavélica da população por seus líderes, em prol de seus escusos interesses.

A canção Meiga Tempestade, um número instrumental com momentos de explosões flamencas, encerra uma singela beleza e convence nossos ouvidos de que um adjetivo (Meiga) e um substantivo (Tempestade), aparentemente excludentes, nasceram um para o outro, sem a necessidade de uma única palavra!

Poderíamos, aqui, tentar definir para o leitor todas as canções, porém, nunca faríamos jus ao ato de ouvi-las. Corra atrás. Um belo, grande e necessário álbum para todos nós, amantes do bom e velho rock'n'roll, representando uma arte que se desvanece.

Banda Renegados.


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