The Good & Old Rock'n'roll

The Good & Old Rock'n'roll
Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

CREATURE LIVES - MASTODON (TRADUÇÃO)


A canção Creature Lives foi composta pela banda norte-americana Mastodon e gravada pela mesma no álbum The Hunter, lançado em setembro de 2011. É uma espécie de fábula que utiliza a figura de um "Monstro Do Pântano" para ilustrar a intolerância humana com a diferença. Pelo menos, assim a letra pode ser interpretada.

 

A CRIATURA VIVE

Eu vi a criatura cair
No pântano de onde ela estava saindo
Eu ouvi eles rirem e dizerem
"Nunca gostamos mesmo dela"
Eu tentei pedir para eles me ajudarem a pô-la novamente em pé
Eles riram e me disseram
Que o pântano era onde eu deveria estar


A criatura vive
A criatura vive
A criatura vive
A criatura vive



Mastodon



terça-feira, 17 de novembro de 2015

WALKING BLUES - ROBERT JOHNSON (TRADUÇÃO)

A canção Walking Blues foi gravada, no dia 26 de novembro de 1936, em um quarto de hotel, em San Antonio, Texas, pelo lendário bluesman Robert Johnson, segundo os pesquisadores, em dois takes, dos quais, o segundo possui paradeiro desconhecido. Acredita-se que seja uma composição do próprio Robert, mas a tradição musical folclórica se fez com o aproveitamento de estruturas musicais precedentes. Muito provavelmente, Robert aproveitou elementos de músicas e músicos que ouviu não somente nessa, mas em todo o seu repertório musical. O verso onde aparece o termo "movimento Elgin" provavelmente é uma referência à suavidade do barulho da máquina de costura do mesmo nome.

Entre vários artistas, a canção foi gravada por Eric Clapton, no seu bem sucedido MTV Unplugged.

Robert Johnson

O BLUES ANDANTE

Levantei essa manhã
Procurando meus sapatos
Sei que tudo que tenho
É esse velho blues andante
Levantei essa manhã
Procurando meus sapatos
Mas você sabe que tudo o que tenho
É esse velho blues andante

Senhor, me sinto como se tivesse revirado
Minha velha e solitária casa
Levantei de manhã 
E minha pequena Bernice tinha partido
Senhor, me sinto como se tivesse revirado
Minha velha e solitária casa

Eu levantei de manhã
E tudo o que tinha foi embora
Parti de manhã
Vou caminhar sem rumo
Me sinto tão maltratado
Que não ligo se morrer

Partindo esta manhã
Vou andar sem rumo
Tenho sido maltratado
E não ligo se morrer

As pessoas me dizem
Que esse blues aborrecido não é ruim
O mais velho e pior sentimento
Que eu já tive
As pessoas dizem
Que esse blues aborrecido não é ruim
O mais velho e pior sentimento
Que já tive

Ela tem um movimento Elgin
Da cabeça aos pés
E aparece dinheiro aonde quer que vá
Da cabeça aos pés, oh honey,
Senhor, o dinheiro aparece
Aonde quer que ela vá

Capa das "Gravações Completas" de Robert Johnson

sábado, 7 de novembro de 2015

WALK ON THE WATER CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL (TRADUÇÃO)

A canção Walk On The Water, composta pelos irmão Fogerty, está no primeiro e homônimo álbum da banda Creedence Clearwater Revival, lançado no ano de 1968. Foi, também, o lado B do single I Put A Spell On You. Agora se ela conta uma história de assombração ou um encontro com Jesus, ou ambos, é difícil saber.

Capa do álbum Creedence Clearwater Revival
Capa do single I Put A Spell On You


ANDANDO NA ÁGUA


Bem tarde, na noite passada saí pra caminhar
Desci até o rio perto de minha casa
Não pude acreditar no que vi com meus próprios olhos
E juro que não vou mais sair de casa

Eu vi um homem andando na água
Vindo da outra margem em minha direção

Chamando meu nome e dizendo: "Não tenha medo"
Sem pensar, saí em disparada

Não quero ir,
Eu não quero ir

Não, não, não, não, não
Eu não quero ir



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

LOST IN TRANSLATION: "RAINY DAY WOMEN # 12 & 35"

Bob Dylan

Se uma pessoa não domina um idioma estrangeiro, dificilmente uma tradução literal dará conta de transmitir, plenamente, a ela as possibilidades de assimilação de uma obra escrita naquele idioma, seja ela um um texto técnico, um tratado filosófico, um romance, um poema ou a letra de uma canção.

Nesse sentido, muitas ideias presentes num determinado idioma não possuem correspondentes noutro e, aí, necessariamente, o tradutor terá de abandonar a literalidade ou, então, coalhar o seu texto com notas de rodapé para evitar que o sentido fique, na expressão inglesa que dá título a este texto, "perdido na tradução". Expressão esta, por sinal, sem correspondente no português, tanto que o filme homônimo de 2003, dirigido por Sofia Coppola recebeu o título nacional de Encontros E Desencontros. Resumindo: toda boa tradução é, na verdade, uma boa versão.

A música Rainy Day Women # 12 & 35 abre o clássico e primeiro álbum duplo do rock Blonde On Blonde, lançado em 1966, por Bob Dylan. Foi também lançada como single, alcançando a segunda posição no Hot 100 revista Billboard.

Capa do single Rainy Day Women # 12 & 35

O livro de Howard Sounes, Dylan, A Biografia, publicado no Brasil em 2002, pela editora Conrad, diz que a gravação da música foi tão ou mais surreal que a própria. Os músicos, em Nashville, abastecidos de álcool e "otras cositas mas" foram convidados a trocar seus instrumentos e o entorpecimento dos sentidos somado à falta de domínio técnico deu um ar de fanfarra desafinada à sonoridade. Ao ouvir, na cabine de som do estúdio, o resultado, um dos músicos sentindo o potencial da faixa comentou com Dylan que quando a música fosse concluída ela ficaria muito boa. Dylan teria respondido: "Como? Ela já está pronta." Isso deixou o tal músico horrorizadamente desnorteado.

O título da canção, literalmente, seria Mulheres Dos Dias Chuvosos Nºs  12 & 35, o qual, aparentemente, não possui conexão alguma com as estrofes e com o refrão da música, dando a impressão de puro e simples nonsense, a exemplo de alguns recursos poéticos que Dylan, desde o álbum Bringing It All Back Home, já vinha lançando mão. Porém, desde cedo, a obra de Dylan está sujeita a interpretações, sendo um prato cheio para os exegetas de plantão, acostumados a "encontrar chifre em cabeça de égua". Dada à comprovada esperteza do compositor, não é de se estranhar que exista mesmo um sentido submerso por trás do título, mas muito provavelmente ele está apenas rindo da nossa cara.

As estrofes da canção apresentam uma espécie de ladainha iniciada com as palavras they'll stone ya, o que, literalmente, seria algo como "eles te chaparão", visto que o verbo to stone é gíria norte-americana para o verbo "drogar". Ao mesmo tempo, faz trocadilho e duplo sentido com o ato de "apedrejar", manifestação, desde épocas bíblicas, de julgamento social.

Assim, nas estrofes, "eles te chaparão/apedrejarão quando você tentar ser bom, (...) quando você tentar ir pra casa, (...), quando você estiver caminhando, (...) quando você for jovem e capaz, (...) quando tentar 'descolar uma grana', (...) quando estiver dirigindo, (...) quando estiver tocando violão, (...) quando for corajoso e (por fim) quando for pra cova." Subentende-se que o "eles" são, na verdade, o moralismo e os "bons costumes" presentes, em qualquer organização social, para a manutenção de uma ordem, explorada em prol das lideranças às custas do sacrifício da "base social", "dopada" pelos mesmos.

É, então, revelada, no refrão, a hipocrisia sobre a qual se assentam a moral e os bons costumes que, por um lado, condenam a iniciativa do uso de drogas mas, por outro lado, entorpecem. Qual será a pior droga? O refrão deixa a "pulga atrás da orelha" do ouvinte:

"Mas eu não me sentiria totalmente sozinho
Todos devem ser/estar chapados/apedrejados."

Dessa forma, é amarrado, com maestria, o conceito lírico ao sonoro, afinal, "a fanfarra desafinada" que faz a base pra o vocal é a trilha sonora da consciência alterada, tão chapada que não sabe mais qual é a droga real e nem quem é "careta" ou "doidão".

O verso "Não sermos literais às vezes faz nossa beleza", escrito por Humberto Gessinger, resume o sentimento de quando, numa tradução, sofremos um certo desapontamento com uma canção em inglês, pois esta não é Ciência Exata e de um idioma para outro, muita coisa "fica no caminho", expressão que, no português, é uma boa versão para "lost in translation".



Observação: Texto escrito originalmente para o site Whiplash.net.