The Good & Old Rock'n'roll

The Good & Old Rock'n'roll
Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

FOUR STRONG WINDS - JOHNNY CASH (TRADUÇÃO)

A canção Four Strong Winds foi composta por Ian Tyson no início da década de 1960 e gravada, originalmente, pela dupla folk que ele formava com a esposa Sylvia, no Canadá, no ano de 1963. Em 1978, Neil Young gravou uma versão da canção em seu álbum Comes A Time. Johnny Cash também fez uma belíssima versão, lançada postumamente em A Hundred Highways, o quinto volume de suas American Recordings, em 2006.

Capa do álbum A Hundred Highways

"QUATRO VENTOS FORTES"


Quatro ventos que sopram solitários
Sete mares que correm alto
Todas as coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Se os bons tempos se foram
E sou obrigado a partir
Procurarei por você, pois sempre acabo voltando

Acho que vou pra Alberta
Lá o tempo é bom no outono
E posso trabalhar para uns amigos
Eu ainda espero que você mude de ideia
Se eu lhe pedir mais uma vez
Mas já passamos por isso cem vezes ou mais

Quatro ventos que sopram solitários
Sete mares que correm alto
Todas as coisas que não mudam, aconteça o que acontecer
Se os bons tempos se foram
E sou obrigado a partir
Procurarei por você, pois sempre acabo voltando

Se eu chegar lá antes de começar a nevar
E se tudo der certo
Eu poderia mandar a passagem pra você me encontrar
Mas então seria inverno
E não teria muita coisa pra você fazer
E com certeza o vento estaria soprando gelado lá fora

Quatro ventos que sopram solitários
Sete mares que correm alto
Todas as coisas que não mudam. aconteça o que acontecer
Se os bons tempos se foram
E sou obrigado a partir
Procurarei por você, pois sempre acabo voltando








domingo, 6 de dezembro de 2015

BOB DYLAN - VISIONS OF JOHANNA (TRADUÇÃO)

A canção Visions Of Johanna foi composta e gravada por Bob Dylan no álbum Blonde On Blonde, lançado no ano de 1966.



VISÕES DE JOHANNA

A noite não parece boa para pregar peças enquanto você tenta ficar quieta?
Estamos atolados aqui, embora façamos nosso melhor para negar
E Louise segura um punhado de chuva na mão, tentando desobedecê-la
Luzes piscam no andar de cima, no lado oposto
Neste quarto o aquecedor apenas tosse
O rádio toca baixinho, sintonizado numa estação country
Mas não há nada, absolutamente nada que o desligue
Apenas Louise e seu amante tão entrelaçados
E essas visões de Johanna tomando meu pensamento

No terreno baldio onde as mulheres brincam de cabra-cega com o molho de chaves
As garotas da noite suspiram por fugir no trem D
Podemos ouvir o vigia noturno com sua lanterna
Pergunte a si mesmo se é ele ou  elas que estão loucos
Mas Louise está certa, está perto, é delicada e se parece com o espelho
Mas ela simplesmente deixa claro e certo que Johanna não está aqui
O fantasma da eletricidade uiva nos ossos de sua face
Onde essas visões de Johanna acabaram de tomar meu lugar

O garotinho perdido é muito duro consigo
Ele se gaba de sua miséria, gosta de viver perigosamente
E quando o nome dela é mencionado ele me fala de um beijo de despedida
Ele deve ter muitas amarguras para ser tão inútil
Resmungando futilidades para a parede enquanto estou na sala
Como posso explicar, é difícil lidar com isso
Essas visões de Johanna me fizeram passar a noite em claro

Dentro dos museus o infinito é testado
Vozes em eco dizem que é isso que acaba sendo a salvação
Mas Monalisa teve ter tido seus blues da estrada
Dá para perceber no jeito de seu sorriso
Veja a flor primitiva congelada na parede
Enquanto mulheres de rostos gelatinosos espirram
E aquela de bigode diz: "Jesus, não encontro meus joelhos"
Joias e binóculos pendurados na cabeça da mula
Mas essas visões de Johanna fazem tudo parecer tão cruel

O mascate fala a uma incontável plateia que finge escutar
Ele diz: "Diga o nome de alguém que não é um parasita e eu saio orar por ele"
Mas como Louise sempre diz, você não enxerga muito bem, enxerga?
Enquanto se arruma para ele
E Madonna ainda não foi mostrada
Vemos esta jaula vazia e corroída onde sua capa de palco certa vez flutuou
O violinista põe o pé na estrada
Ele escreve que tudo voltou a ser o que era
Na carroceria de um caminhão de peixe sendo carregado
Enquanto minha consciência explode
A gaita toca as notas principais e a chuva
E essas visões de Johanna são agora tudo o que resta


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

INTERCÂMBIO: O ROCK ENTRE AMERICANOS E INGLESES (E UNS BLUES NO MEIO)

O mestre "Menino Rei do Blues"


Certa vez, perguntaram ao mestre B.B. King se ele não se sentia roubado pelos músicos brancos ingleses da década de 1960, por estes terem se apropriado do  seu blues. Com sua costumeira serenidade, B.B. King respondeu que, muito pelo contrário, se podia sobreviver de sua arte, levá-la aos quatro cantos do mundo e, ainda, se ela havia rompido as barreiras de um gueto cultural, ele só tinha a agradecer a esses músicos ingleses.

De fato, assim como o rock'n'roll da década de 1950, o blues estava, no início da década de 1960, enquanto "produto cultural" norte-americano, estagnado.

Foi a apropriação peculiar que a geração inglesa nascida, às vezes, literalmente, nos escombros da Segunda Grande Guerra fez desses estilos, a responsável por tornar bluesmen como Robert Johnson, Willie Dixon, Howling Wolf, Muddy Waters, John Lee Hooker, o próprio B.B. King e tantos, tantos outros, lendas de renome mundial.

Foi, também, essa mesma geração de músicos a responsável pelo rock'n'roll dos anos 1950 ter se tornado O ROCK, um estilo musical atemporal e aglutinador e, assim, tirá-lo da lista das mudanças passageiras que a juventude, em sua "inconsequência", logo substituiria por outra, vendida como novidade pela indústria cultural norte-americana, através, principalmente, de seus filmes.

50's rockers

No início dos anos 1960, nos Estados Unidos, o rock'n'roll já era tido como uma moda ultrapassada. Um exemplo disso é o fato de que no estado de Minnesota, o jovem Robert Allen Zimmerman, cujo sonho de adolescência era fazer parte da banda de Little Richard, trocou sua guitarra elétrica por um violão, mudou o nome para Bob Dylan, homenageando um academicamente conceituado poeta galês e se tornou o "herói folk" da juventude cabeça das universidades.

Do outro lado do Atlântico, o consumo meio tardio do rock'n'roll pela juventude britânica, associado às particularidades de sua música popular fez surgir uma leva de bandas praticando um estilo musical definido como beat, do qual os Beatles foram os maiores representantes.

E foi no intercâmbio entre esse rock'n'roll britanicamente "revigorado" e a maturidade poética da música folk dylanesca que o rock se manifestou como arte passível de ser levada a sério.

Ao mesmo tempo, uma parcela de músicos britânicos, dos quais o grande expoente foi, sem dúvida, Eric Clapton, tratou o rock que tomava as paradas de sucesso com um certo preconceito puritano, preferindo um estilo que ainda não houvesse se corrompido pelas formas baseadas nas vendagens. Foi aí que o blues norte-americano entrou em cena, fazendo a cabeça de um grupo de músicos que definiram a guitarra elétrica como instrumento peculiar. Para tanto foi essencial a presença de um "exilado cultural" norte-americano, que passou a atender por Jimi Hendrix.

Jimi e Eric

Esse blues amplificado, porém, não era, de todo, novidade. O período musical compreendido entre 1965 e 1966, no qual Bob Dylan, influenciado pela "eletricidade" dos Beatles trouxe, na tradução do título de seu primeiro álbum elétrico (Bringing It All Back Home), "tudo isso de volta para casa", já apontava nessa direção, principalmente se considerarmos as turnês que o músico fez na mesma época, escudado pela banda The Hawks (posteriormente auto-rebatizada The Band), muito bem documentadas no volume 4 da Bootleg Series ("The Royal Albert Hall Concert") e no documentário No Direction Home, dirigido por Martin Scorsese. Porém, Dylan se notabilizou por não esquentar lugar numa característica artística e, em 1966, devido às tensões enfrentadas na estrada e a um acidente motociclístico, ele se recolhe para retornar totalmente remodelado.

Dylan & The Hawks

O som amplificado e distorcido, carregado de elementos blueseiros, no entanto, dará a tônica do rock produzido em fins dos anos 1960 e início dos 1970, sustentado por uma nova figura emblemática: os guitar hero. Estava aí a gênese do hard rock, do heavy metal, do punk rock e do rock progressivo.

60's hippies