The Good & Old Rock'n'roll

The Good & Old Rock'n'roll
Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

TOP 10: UNANIMIDADES ENTRE OS ÁLBUNS DE ROCK AO VIVO


Uma das principais diferenças entre músicas gravadas em estúdio e suas versões gravadas ao vivo é o peso e a energia que, no palco, são estratégias para mascarar os truques e nuances impossíveis de serem reproduzidos no momento.

No rock, existiram e existem bandas mais adequadas aos estúdios, como os Beatles, por exemplo e, por outro lado, também, houve e há bandas cujo "habitat natural" é o palco. O Kiss é exemplo no segundo caso, pois seus álbuns de estúdio não chamavam a atenção do público e não refletiam o ambiente dos shows. A banda só se tornou grande, de fato, após o lançamento de Alive!

Como o assunto, aqui, é lista, vamos abordar os grandes álbuns de rock gravados ao vivo citados na mídia especializada sempre que o tema vem à tona, seja ele "grandes álbuns de rock de todos os tempos", ou "grandes álbuns de rock gravados ao vivo", em todos os tempos. 

Deve-se, no entanto, levar em conta o fato de o rock, aqui, ser interpretado de maneira abrangente, evitando-se priorizar determinado gênero ou subgênero, como, por exemplo, poderia ocorrer numa lista de grandes álbuns ao vivo elaborada por uma revista ou site especializados em Heavy Metal. Os álbuns relacionados transcendem as barreiras impostas por gêneros. 

Qualquer lista enfocando os grandes álbuns de rock ao vivo em todos os tempos irá apresentar pelo menos um dos listados abaixo. Isto faz deles unanimidades. Mas, dizia o "filósofo", que "toda unanimidade é burra". Não concorda? Do it yourself. A ordem apresentada é meramente cronológica e não quantitativa ou qualitativa.

Por último, é necessário, também, lembrarmos do fato de que alguns dos álbuns abaixo relacionados serem, "realmente", ao vivo, é discutível.

1. Live At Star Club, Hamburg - Jerry Lee Lewis (1964)





2. Band Of Gypsys - Jimi Hendrix (1970)




3. Live At Leeds - The Who (1970)




4. Made In Japan - Deep Purple (1972)




5. Alive! - Kiss (1975)




6. Frampton Comes Alive! - Peter Frampton (1976)




7. Live And Dangerous - Thin Lizzy (1978)




8. Live Rust - Neil Young & Crazy Horse




9. No Sleep 'Til Hammesmith - Motörhead (1981)




10. "The Royal Alber Hall" Concert - Bob Dylan (1998)









quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

STORM THORGERSON: A ARTE POR TRÁS DAS CAPAS DO PINK FLOYD

Storm Thorgerson

Era comum, durante a década de 1980, sintomaticamente quando as gravações musicais em sinais digitais começaram a substituir as analógicas, lermos, na crítica de rock, o termo "dinossauros", associado a um certo grupo de músicos da década anterior. Com isso, tentava-se catalogar, pejorativamente, uma grandeza que deveria ser suplantada, extinta. A arte musical deveria sair das mãos de uns poucos "ungidos pelos deuses" e se tornar bem comum: do it yourself. Num simplório exercício de lógica, chega-se à seguinte conclusão: se não havia mais espaço para a grandeza, fatalmente, o rock iria se apequenar. 

E foi exatamente a prepotência jurássica, então condenada, que tentou tirar o rock da mera condição de desvario adolescente passageiro, rumo à condição de arte séria. Não é à toa que um dos rótulos atribuídos aos "dinossauros do rock" era, exatamente, art rock.

Para os "dinossauros do rock" o conceito de "álbum", emprestado do jazz, era essencial. Um disco gravado não era mais somente um LP, um catado de canções em um formato luxuoso, visando o bolso dos ouvintes mais abastados. O álbum de rock, desde meados dos anos 1960, vinha sendo cuidadosamente planejado por músicos e produtores, o que acabou, fatalmente, dando nos álbuns conceituais, cujo conjunto de canções explorava um tema ou uma história.

Dentro de todo esse processo, a capa, o primeiro contato do consumidor com a música gravada (algo difícil de assimilar em tempos de Internet), passou a ser tratada como parte integrante do conjunto artístico e não mais como apenas embalagem.

Capa do álbum Rubber Soul, dos Beatles

Capa do álbum Blonde On Blonde, de Bob Dylan

Logicamente as experiências gráficas nas capas dos discos dos Beatles e de Bob Dylan, entre outros, foram o pontapé inicial e, mais, estabeleceram um parâmetro. No entanto, é com o trabalho do designer gráfico inglês Storm Thorgerson que as capas dos álbuns de rock tornam-se tão ou mais importantes que o conteúdo sonoro embalado por elas. Juntamente com Aubrey Powell, ele fundou, em 1968, o estúdio Hipgnosis, cujo primeiro trabalho foi a capa de A Saucerful Of Secrets, da banda Pink Floyd, de cujos integrantes era amigo, além de ter sido colega de faculdade dos mesmos.

Capa do álbum A Saucerful Of Secrets

Iniciava-se, assim, uma colaboração marcante na história do rock, a ponto de, sem nenhum exagero, vermos em Storm, se não um integrante, tão importante quanto qualquer integrante do Pink Floyd. Sua arte se tornou tão icônica que acabou por transcender os limites da história do rock. Não é raro a pessoa que conhece, por exemplo, a imagem da capa do álbum The Dark Side Of The Moon, sem sequer saber do que se trata. Além do Pink Floyd, o estúdio Hipgnosis elaborou a arte da capa de um infindável número de discos de rock. Genesis, T. Rex, Led Zeppelin, Emerson, Lake & Palmer, Nazareth, Bad Company, Black Sabbath, AC/DC, Scorpions, Def Leppard, UFO, Peter Gabriel, Yes, Paul McCartney, entre tantos, tantos outros, tiveram sua arte complementada pela arte do Hipgnosis.














Sintomaticamente, no ano de 1983, quando o formato Compact Disc despontava no mercado, o estúdio Hipgnosis encerrou suas atividades. Algo literal se torna a mais perfeita metáfora para o fato: a capinha do CD ficou pequena demais para a arte de Storm Thorgerson. 

Ainda assim, até sua morte em 2013, como um dinossauro caminhando num mundo que seguiu adiante, Storm Thorgerson, volta e meia nos brindava com sua arte, trazendo ao nosso olhar uma grandeza que o rock perdeu pelo caminho.











sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

TOP 10: MERA COINCIDÊNCIA?


A tradição musical na cultura popular sempre foi marcada pelo aproveitamento que as gerações posteriores faziam, de elementos explorados pelas gerações anteriores. Assim, estruturas melódicas e harmônicas reapareciam com letras diferentes e isso foi considerado normal, pelo menos até a tradição popular ser contaminada pela valorização autoral que, na música erudita já vinha sendo a tônica, principalmente após os valores burgueses de enaltecimento individual serem disseminados na produção cultural.

A produção coletiva, então, torna-se o símbolo de um passado suplantado (o da música folclórica) e cede espaço à produção autoral. Aí, algo corriqueiro e visto com certa normalidade pelos próprios agentes culturais (os músicos), passa a ser considerado delito, sob a acusação de plágio.

A tradição cultural do blues (catalogado como música folclórica) é um grande exemplo do que foi apontado acima. Foi sintomático o fato de Willie Dixon, um grande compositor de blues, ter exigido judicialmente co-autoria na música Whole Lotta Love, gravada pelo Led Zeppelin, sob alegação de que foram reaproveitados elementos de uma canção sua. Logo ele, representante de uma tradição cultural que se fez reaproveitando criativamente composições antigas.

Tal fato, entre outros, foi levantado como bandeira pelo quixotismo historiográfico onde brancos inaptos só são capazes de espoliar as criações culturais de minorias étnicas, mas o ser humano é um animal mimético e a história é dinâmica.

Quem de nós já não se pegou perguntando, ao menos uma vez, ao ouvir uma determinada canção: onde foi mesmo que já ouvi isto?

Às vezes, coincidência; às vezes, homenagem; às vezes, "homenagem"; às vezes, reflexo de uma atitude mal intencionada; às vezes, reflexo da falta de capacidade. O fato é que podemos encontrar inúmeros exemplos de composições que remetem a outras mais antigas. Pode ser uma levada de bateria, o timbre instrumental utilizado na gravação, a disposição harmônica, melódica ou lírica (das letras) ou um riff.

Segue, abaixo, uma lista, em ordem cronológica (das mais antigas para as mais recentes), de músicas que possuem elementos passíveis de remeter a composições musicais precedentes, sempre envolvendo uma composição nacional e outra de língua estrangeira. Marcelo Nova (Camisa de Vênus) aparece três vezes na lista, porém é perfeitamente possível fazer uma apenas com ele.

Na lista aparece o nome da música, do intérprete e a data da gravação citada. Não é apontado crédito de composição e, em alguns casos, a gravação não é a original.


1. RAINNY DAY WOMEN # 12 & 35 - BOB DYLAN (1966)





ESSA LINDA CANÇÃO - CAMISA DE VÊNUS (1996)


 


2. BLACKBIRD - THE BEATLES (1968)




VIDA DE CACHORRO - OS MUTANTES (1972)




3. GIMME SHELTER - ROLLING STONES (1969)




SÓ O FIM - CAMISA DE VÊNUS (1986)




4. MY BABY LEFT ME - CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL (1970)




                                      



A VERDADE SOBRE A NOSTALGIA - RAUL SEIXAS (1975)




5.BRIDGE OVER TROUBLED WATER - ELVIS PRESLEY (1970)




AVE MARIA DAS RUAS - RAUL SEIXAS (1977)




                                       



6. ME DÊ MOTIVO - TIM MAIA (1983)




AVAILABLE LIGHT - RUSH (1989)




7. MEU ERRO - PARALAMAS DO SUCESSO (1984)




WHY CAN'T I BE YOU - THE CURE (1987)




8. ESTADO VIOLÊNCIA - TITÃS (1986)




DANI CALIFORNIA - RED HOT CHILLI PEPPERS (2006)




9. ALL I WANT IS YOU - U2 (1989)




O QUE EU TAMBÉM NÃO ENTENDO - JOTA QUEST (2000)




                                      



10. BIRD ON A WIRE - JOHNNY CASH (1994)




O MAL QUE HABITA EM MIM - CAMISA DE VÊNUS (1996)