The Good & Old Rock'n'roll

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Traduções de músicas & textos sobre o rock'n'roll e sua história.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

STORM THORGERSON: A ARTE POR TRÁS DAS CAPAS DO PINK FLOYD

Storm Thorgerson

Era comum, durante a década de 1980, sintomaticamente quando as gravações musicais em sinais digitais começaram a substituir as analógicas, lermos, na crítica de rock, o termo "dinossauros", associado a um certo grupo de músicos da década anterior. Com isso, tentava-se catalogar, pejorativamente, uma grandeza que deveria ser suplantada, extinta. A arte musical deveria sair das mãos de uns poucos "ungidos pelos deuses" e se tornar bem comum: do it yourself. Num simplório exercício de lógica, chega-se à seguinte conclusão: se não havia mais espaço para a grandeza, fatalmente, o rock iria se apequenar. 

E foi exatamente a prepotência jurássica, então condenada, que tentou tirar o rock da mera condição de desvario adolescente passageiro, rumo à condição de arte séria. Não é à toa que um dos rótulos atribuídos aos "dinossauros do rock" era, exatamente, art rock.

Para os "dinossauros do rock" o conceito de "álbum", emprestado do jazz, era essencial. Um disco gravado não era mais somente um LP, um catado de canções em um formato luxuoso, visando o bolso dos ouvintes mais abastados. O álbum de rock, desde meados dos anos 1960, vinha sendo cuidadosamente planejado por músicos e produtores, o que acabou, fatalmente, dando nos álbuns conceituais, cujo conjunto de canções explorava um tema ou uma história.

Dentro de todo esse processo, a capa, o primeiro contato do consumidor com a música gravada (algo difícil de assimilar em tempos de Internet), passou a ser tratada como parte integrante do conjunto artístico e não mais como apenas embalagem.

Capa do álbum Rubber Soul, dos Beatles

Capa do álbum Blonde On Blonde, de Bob Dylan

Logicamente as experiências gráficas nas capas dos discos dos Beatles e de Bob Dylan, entre outros, foram o pontapé inicial e, mais, estabeleceram um parâmetro. No entanto, é com o trabalho do designer gráfico inglês Storm Thorgerson que as capas dos álbuns de rock tornam-se tão ou mais importantes que o conteúdo sonoro embalado por elas. Juntamente com Aubrey Powell, ele fundou, em 1968, o estúdio Hipgnosis, cujo primeiro trabalho foi a capa de A Saucerful Of Secrets, da banda Pink Floyd, de cujos integrantes era amigo, além de ter sido colega de faculdade dos mesmos.

Capa do álbum A Saucerful Of Secrets

Iniciava-se, assim, uma colaboração marcante na história do rock, a ponto de, sem nenhum exagero, vermos em Storm, se não um integrante, tão importante quanto qualquer integrante do Pink Floyd. Sua arte se tornou tão icônica que acabou por transcender os limites da história do rock. Não é raro a pessoa que conhece, por exemplo, a imagem da capa do álbum The Dark Side Of The Moon, sem sequer saber do que se trata. Além do Pink Floyd, o estúdio Hipgnosis elaborou a arte da capa de um infindável número de discos de rock. Genesis, T. Rex, Led Zeppelin, Emerson, Lake & Palmer, Nazareth, Bad Company, Black Sabbath, AC/DC, Scorpions, Def Leppard, UFO, Peter Gabriel, Yes, Paul McCartney, entre tantos, tantos outros, tiveram sua arte complementada pela arte do Hipgnosis.














Sintomaticamente, no ano de 1983, quando o formato Compact Disc despontava no mercado, o estúdio Hipgnosis encerrou suas atividades. Algo literal se torna a mais perfeita metáfora para o fato: a capinha do CD ficou pequena demais para a arte de Storm Thorgerson. 

Ainda assim, até sua morte em 2013, como um dinossauro caminhando num mundo que seguiu adiante, Storm Thorgerson, volta e meia nos brindava com sua arte, trazendo ao nosso olhar uma grandeza que o rock perdeu pelo caminho.











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